Script – Daniel Herculano

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Veia de Lutador

outubro20

Lutando até o Fim

Veia de Lutador (Fighting, 2009) de Dito Montiel é um bom drama sobre um jovem (Channing Tatum) que chega à Nova York com a cara e a coragem e de repente se vê embrenhado no submundo das lutas apostadas. Do lixo ao luxo em semanas. Mas que nunca deixa de ser um gueto. Com suas ciladas, da vida, de como podemos confiar (ou não) nas pessoas.

Menos autoral que sua primeira incursão no cinema (o autobiográfico e premiado Santos e Demônios, de 2006), Montiel está mais comercial e parte decidido para mostrar brutalidade nas cenas de luta e certo lirismo com seu protagonista. E exatamente nesses opostos que centra sua capacidade de envolver o espectador e fazer com que torçamos por seu nobre cavaleiro em busca não apenas da grana, mas também de sua honra.

Fighting Poster - Click to View Extra Large Image

O elenco tem boas atuações, capitaneado pelo ótimo Terrence Howard na pele do golpista Harvey Boarden. Com pose de galã, o ascendente Channing Tatum (do blockbuster G. I. Joe – A Origem de Cobra) faz o seu, como o garoto de bom coração que sabe bater com força, pois a vida já bateu nele o suficiente. Seu interesse romântico, Zulay, não faz feio, e é uma gata! Possivelmente qualquer um lutaria para ter uma chance. E para não perder o costume, Luis Guzmán, um dos maiores coadjuvantes do cinema faz – como sempre – um bom apoio como Martinez.

Inédito nos cinemas do Brasil, mas já disponível nas locadoras, Veia de Lutador não tem tantas surpresas, mas é digno por nos fazer acompanhar seus personagens lutando até o fim por uma vida melhor, unindo num mesmo pacote tensão, drama e diversão.

Fighting Poster - Click to View Extra Large Image

NOTA: 7,5

INFORMAÇÕES ESPECIAIS:
Entrevista Exclusiva com Terence Howard (indicado ao Oscar em Ritmo de um Sonho, 2005):

Como foi sua preparação para esse personagem? Parece muito diferente de você.

TH: Havia alguma parte de mim mesmo nesse personagem. Havia algum espírito quebrado que eu não superei. É como a terapia. Você tem que expor o lado amedrontado de você.

Como você o descreveria?

TH: Não poderia fazer uma coisa aceitável. Poderia imaginar ter o ímpeto para algo bom, mas não saber expressá-lo bem? O mundo tem batido nele tão forte, que já não sabe ser ele mesmo.

Pode você compreender no que as pessoas se vêem atraídas no ato de lutar?

TH: Nós mesmos não gostamos do que somos. E parece que nunca é uma outra pessoa lutando, somos nós lá na luta. É o que temos dentro de si. Eu não penso que glorifica a luta, mas de algum modo ela é tão intrínseca na humanidade. Esta luta não tem nenhuma regra de vida ou morte. Não é sobre os olhos roxos e os narizes sangrentos, e sim sobre você mesmo.

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Che: Parte I (O Argentino) e Che: Parte II (A Guerrilha)

outubro19

A formação de um mito

A primeira parte da cinebiografia de Ernesto Che Guevara assinada por Steven Soderbergh, Che – Parte I (Che – Part One, 2008) deu a Benicio Del Toro o prêmio de melhor ator em Cannes no ano passado. Mais que merecido, sem ele o drama seria manco, surdo, mudo e sem sentido, ele É O FILME.

Dotado de um grande (e bom) elenco, incluindo Rodrigo Santoro, Catalina Sandino Moreno, Jorge Perugorría e Julia Ormond, todos com pouco tempo na tela, exceto por Demián Bichir como Fidel Castro, mas que parecem pequenos, frente ao gigante Che de Benício Del Toro.

Com uma (ótima) fotografia crua, Che – Parte I carece um pouco de ritmo, raspando na lentidão, exigindo assim do espectador uma maior atenção. Mesmo com interessantes idas e vindas no tempo (e seus fatos históricos), como forma de moldar o caráter do seu protagonista e toda sua dura formação, existe ao fim um sentimento incompleto da história, onde só testemunharemos por completo quando o segundo capítulo chegar.

NOTA: 7,0

Triste fim

Steven Soderbergh pensou na história de Erneste “Che” Guevara como um grande longa, mas a necessidade do mercado internacional o fez dividir a história em duas partes, transformando uma grande obra em dois filmes distintos. Não pela qualidade ou técnica, mas pelos estilos, abordagens e com os próprios temas. Enquanto o primeiro (Che: Parte I – O Argentino) – entre idas e vindas no tempo – construía vibrantemente um mito, Che: Parte 2 – A Guerrilha (Che – Part 2: Guerrilla, 2008) elabora um triste fim para um bravo guerrilheiro. É penoso, quase sem cores, mas com excepcional interpretação de Benicio Del Toro (melhor ator em Cannes) e de clima ofegante, real. Da decisão entre Fidel Castro e Che de inserir uma nova política revolucionária a desastrosa invasão à Bolívia. Dá até vontade de chorar com tanto sofrimento.

Nota: 6,5

INFORMAÇOESPECIAIS:

Quando estreou no Festival de Cannes em 2008, o filme de Steven Soderbergh era um só Che, com os capítulos O Argentino (Parte I) e O Guerrilheiro (Parte II) num total de quase 5 horas de duração. Para o mercado internacional editaram o longa, dividido em duas partes distintas. Alguns países adotaram os subtítulos para as partes I e II, respectivamente O Argentino (duas horas e onze minutos) e O Guerrilheiro (duas horas e catorze minutos), o qual não é o caso do Brasil;

O diretor Steven Soderbergh ganhou o Oscar de direção por Traffic (2000) e a Palma de Ouro em Cannes por Sexo, Mentiras e Videotape (1989). Assina também Irresistível Paixão (1998) e a Trilogia 11, 12 e 13 Homens e um Novo Segredo (2001; 2004; 2007);

O ator Benicio Del Toro ganhou o Oscar, Globo de Ouro e Urso de Prata em Berlim de coadjuvante por Traffic (2000) e indicado por 21 Gramas (2003);

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Bastardos Inglórios

outubro14

Segunda Guerra Mundial Pop

Quentin Tarantino é icônico. E todas as características que fizeram seu nome no cinema estão aqui. Um grande astro atuando (Brad Pitt), um até então desconhecido brilhando (Christoph Waltz). Diálogos referenciais? Confere. Homenagem ao cinema? Claro. Capítulos para contar sua história? Sim. Tanto sangue quanto risos? Sem dúvida. Tom irônico e caricatural? Aham. Bastardos Inglórios (Inglorius Basterds, 2009) não ganhou a Palma de Ouro em Cannes, mas justifica todo o barulho que fez por lá, que ainda levou um prêmio dito de consolação, mas não menos merecedor (melhor ator para Waltz). A Segunda Guerra Mundial é campo para destilar sua violência cômica. Não é história é cinema. Maiúsculo e dos bons como há algum tempo não se via.

Durante a ocupação alemã na França, um grupo de soldados judeus americanos – os Bastardos Inglórios do título – liderados pelo tenente Aldo Raine (Pitt) colocam em prática um plano para eliminar o maior número de nazistas possíveis. Depois, ao unir forças à agente secreta Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger) buscam acabar com Hitler e os líderes do Terceiro Reich. Paralelamente, a judia Soshanna (Mélanie Laurent) reencontra o algoz de sua família, o Coronel Hans Lada (Waltz), e trama um plano de vingança.

O prólogo arrebatador já demonstra ao que veio. Sem pressa distribui em seus (longos) diálogos não apenas palavras, mas sentimentos e até tensão dramática. Com nuances de western spaghetti – repare no uso incontido das trilhas, dos temas, das paisagens à espera da ação – Tarantino não se cansa de ser cinematográfico. Seu domínio de câmera consegue ser sério, faz travellings, desfila nas salas, passeiam nos cenários e vão até debaixo do assoalho de uma casa (ratos=judeus). Quando quer anda em ritmo de caricatura e mesclando violência com hilariantes seqüências. O diretor e roteirista lembra sempre que estamos assistindo uma obra assinada. Os inserts brincalhões entretêm e até a narração (de Samuel L. Jackson) funciona. Para brincar com a verdade, claro, e exatamente esse é o maior propósito (e mérito) da fita. Então, faz todo sentido.
Destila ironia e divide em capítulos uma sua história, mas dessa vez em ordem cronológica. Não manda recado, explode no ato! O contexto vingança se confunde com a missão (operação Kino) comandada – veja só – por um ex-crítico de cinema que virou oficial (Michael Fassbender). Repare na ponta curiosa de Mike Myers como o comandante que descreve passo-a-passo a missão numa sala que mais parece um cenário de Dr. Fantástico (1964) de Stanley Kubrick. Referencial: cinema!

Como de costume, Tarantino tem o hábito de remover gente das cinzas alguém esquecido ou muito bom que ainda não recebera uma grande chance. E a última opção cai bem para o austríaco Christoph Waltz, soberbo como o Coronel Hans Lada, o Caçador de Judeus. Premiado na TV, aqui recebe seu passaporte carimbado por Tarantino para Hollywood e não desperdiça nem por um segundo. Sua construção é um espetáculo, do começo ao fim. Frio, inteligente e com uma paciência que só ele sabe aonde quer chegar. Provoca tensão com um riso nos lábios e surpreende a cada aparição. Acredite, é um vilão com um carisma admirável.

Brad Pitt – armado de bigodinho retrô-brega, faca e metralhadora – é um obstinado caipira que adora escalpelar nazista e assim acredita na força de sua missão. Seu inglês é rústico (perfeito), mas a graça é total quando arrisca um frouxo e macarrônico italiano. Bizarro e que não deixa de ser cômico nem por um instante. Seus comparsas o acompanham na caricatura, perfeitos, com destaque para Hugo Stiglitz (Til Schweiger, ótimo), um alemão que ama matar nazistas, obrigatoriamente fazendo cara de cachorro raivoso. No clima over há ainda os satirizados Hitler (Martin Wuttke) e Goebells (Sylvester Groth). Todos exagerados e por isso mesmo no ponto. Mas meio de tanta gente de mentira, também do lado nazista o atirador Zoller (Daniel Brühl) é plausível e um personagem interessante e bem explorado.

E quanto as belas mulheres? Quem se sai melhor é Mélanie Laurent. Da fuga desesperada, passando pela divina cena de choro depois de um struedel até seus momentos dignamente cinematográficos dentro do próprio cinema. A charmosa Diane Kruger está bem na pele da espiã com a dubiedade necessária e tem uma ótima piada sobre idiomas e americanos. Um dos (muitos) pontos irônicos da trama, a qual praticamente todos os personagens falam no mínimo duas línguas (incluindo até um mero fazendeiro)… Por isso mesmo a piada contra os americanos é tão real que se torna engraçada.

Bastardos Inglórios tem imagens tensas (cena da taverna), empolgantes (cinema lotado!) e até heróicas (tiroteio na sala de projeção), enquanto a fumaça e o rosto marcam eternamente aquele sequncia na história no cinema. Tarantino literalmente metralha a história com mortes surpreendentes, escalpos para todos os lados, palavrões e (ótimos) diálogos longos, mas tão afiados quanto a faca do comandante Pitt, que marca os nazistas como ninguém. Imperdível, envolvente e adjetivamente um dos melhores do ano. Quentin Tarantino obrigado por tudo, mais uma vez.

NOTA: 9,5

INFORMAÇÕES ESPECIAIS:

O diretor e roteirista Quentin Tarantino venceu a Palma de Ouro em Cannes e o Oscar de roteiro original por Pulp Fiction (1994);

Christoph Waltz venceu o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes por Bastardos Inglórios, e já está cotado para concorrer ao Oscar 2010, mas como coadjuvante para ter maiores chances;

Outras recomendações com o elenco de Bastardos Inglórios:
Brad Pitt indicado ao Oscar e Globo de Ouro por O Curioso Caso de Benjamin Button (2008);
Diane Kruger em Paixão à Flor da Pele (2004);
Til Schweiger em A Ciência do Sexo (2001);
Daniel Brühl em 2 Dias em Paris (2007);
Mélanie Laurent em Beije Quem Você Quiser (2002);
Mike Myers em Studio 54 (1998);

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Tá Chovendo Hamburger

outubro11

Fome Tridimensional

Em Tá Chovendo Hamburguer (Cloudy with a Chance of Meatballs, 2009), Flint é um atrapalhado cientista. Seu sonho é ser reconhecido por suas invenções, e a última delas é uma máquina que faz com que as nuvens jorrem todo tipo de comida pela cidade. Mas como tudo demais é pecado…

A animação é bacana, engraçada. Sabe usar a força da tecnologia 3D (sempre imbatível se comparado ao tradicional 2D) para nos dar uma fome tridimensional. Mas a fome que provoca poderia ser na verdade um pouco mais crítica com o consumo da comida não tão saudável feita com tanta vontade pelo público americano. O vilão é um prefeito gordo e sem escrúpulos, mas a sutileza é quem comanda a maior parte desse desenho bem animado, colorido e com uma mensagem que devemos acreditar nos nossos sonhos, e que um pé na realidade não faz mal algum.

Os maiores podem se divertir com o macaco louco para puxar um bigode, com as trapalhadas de Flint e o tosco Bebê Brant, mas Tá Chovendo Hamburguer é mais indicado para os menores. Fica a dica: não ouse ir de barriga vazia… Com tanta comida na tela você corre o risco de enlouquecer ao ouvir o ronco do seu estômago ou de engasgar com a própria saliva de tanta água na boca.

NOTA: 7,5

INFORMAÇÕES ESPECIAIS:
Outras recomendações com os dubladores da versão original de Tá Chovendo Hambúrguer:

Bill Hader (Flint) em Ressaca de Amor (2008);

James Caan (papai Tim) em Agente 86 (2008);

Anna Faris (repórter Sam Sparks) em Encontros e Desencontros (2003);

Bruce Campbell (prefeito Shelbourne) em Cine Majestic (2001);

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Salve Geral

outubro9

Salve Andréa Beltrão!

Nos últimos anos a violência foi destaque no nosso cinema. Do já clássico Cidade de Deus (2002), ao razoável Carandiru (2003). Do premiado e icônico Tropa de Elite (2007) ao ok Cidade dos Homens (2007), findando com o inaceitável Última Parada 174 (2008). Salve Geral (2009), de Sergio Rezende, não consegue inovar e bate nos clichês de outrora ao misturar duas histórias: parte real das rebeliões tramadas e executadas pelo PCC à história de uma mãe (Beltrão) que retoma a advocacia apenas para tentar salvar seu filho (Lee Thalor, uma boa surpresa) do caminho sem volta que é estar dentro da cadeia.

Dos pretensos bastidores à execução da ação criminosa que parou São Paulo, tudo é comandado com pulso forte pelo experiente diretor. Mas que se rende ao déjà vu de todas as obras citadas anteriormente. Importante ressaltar que na pior parte delas, infelizmente. Personagens caricatos, ação picotada até a meia-hora final, para enfim dar espaço para o embate final entre bandidos, pintados com muita honra até, e policiais entrincheirados entre os durões violentos e os violentos durões. Seus vilões – se é que podem se chamar exatamente disso – quase passam em branco de tanta apatia.


E mais: se não fosse por Andréa Beltrão, o longa, que é ok, não passaria de um apático frankenstein da recente e violenta safra do cinema nacional. Num personagem que podia estar condenada ao desespero ou destempero, Andréa Beltrão e toda sua energia salvam geral o longa do pior, da pretensão de ser grandioso demais tendo tão pouco a contar de novo. Salve Andréa Beltrão!

Nota: 6,0

INFORMAÇÕES ESPECIAIS:
Salve Geral foi o escolhido pelo Ministério da Cultura para representar o Brasil numa possível indicação ao Oscar em 2010. Indicado e ganhar, quem não quer? Todo mundo, mas vamos ser realistas: é melhor pensar em quem indicar no ano que vem, pois esse já está perdido;

O diretor Sergio Rezende assina os recomendados O Homem da Capa Preta (1986), Lamarca (1994), Guerra de Canudos (1997) e Zuzu Angel (2006);

Outras recomendações com Andréa Beltrão:
Pequeno Dicionário Amoroso (1997), A Partilha (2001), Cazuza – O Tempo Não Pára (2004), Jogo de Cena (2007) e Romance (2008);

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A Verdade Nua e Crua

outubro5

Comédia divertida, romance boboca

O gênero comédia romântica já é por si só um clichê. E disso A Verdade Nua e Crua (The Ugly Truth, 2009), de Robert Luketic, nem se esquiva. Ao apostar exclusivamente na comédia é bem bacana e faz rir a valer. Mas quando entra no terreno do romance é boboca de dar dó, com a previsibilidade tomando de conta de tudo. Sobra ao espectador uma boa química entre a bonitona Katherine Heigl e o machão desbocado Gerard Butler e as situações divertidas que se metem.

Quando há diálogos – mais especificamente entre os protagonistas – até as situações (e piadas) físicas funcionam. A seqüência num restaurante e que envolve uma calcinha vibratória é simplesmente hilariante. As discussões que envolvem a verdade nua e crua são bem reais… Quem nunca se sentiu em alguma daquelas situações expostas ou comentadas? Acontece… Mas tudo isso só funciona mesmo porque Katherine Heigl e Gerard Butler conseguem se entender muito bem. Ela meio neurótica e cheia de regras, mas doce e meia por dentro… Ele um macho alfa sem coragem de amar, que beira a grosseria. Bateu legal.

Infelizmente o romance é mais que previsível e a direção de Luketic é burocrática, com um clima artificial no ar. E quando as músicas pipocam na tela tem início a uma série de mini-clipes, editando a trama. Nossa, como isso é chato e o que era para dar ritmo ao longa acaba por atrapalha-lo, como se estivesse puxando o freio de mão. Outro pequeno problema: personagens secundários (e divertidos), como o casal-âncora da TV que, depois de um bom início como apoio, são deixados de lado, relegados a quase nada.

Tudo acaba no clichê, mas até chegar ao fim garanto que terá dado boas risadas. Suficientes para aplacar a falta de coragem em fazer uma comédia romântica longe do lugar comum. Porque A Verdade Nua e Crua é essa falta originalidade no romance, mas sobram risos na comédia.

NOTA: 7,5

INFORMAÇÕES ESPECIAIS:
O diretor Robert Luketic tem um currículo nada orgulhoso: Legalmente Loira (2001), Um Encontro Com Seu Ídolo! (2004), A Sogra (2005) e Quebrando a Banca (2008);

Outras recomendações com o elenco de A Verdade Nua e Crua:
Katherine Heigl em Ligeiramente Grávidos (2007);
Gerard Butler em 300 (2007);

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Os Normais 2 – A Noite Mais Maluca de Todas

setembro29

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Episódio Esticado

A continuação Os Normais 2 – A Noite Mais Maluca de Todas (2009), de José Alvarenga Jr., não é exatamente cinema. Está mais para um conjunto de quadros do extinto programa de TV que lhe deu origem, que explora ao máximo a química e o tempo de comédia dos ótimos Luiz Fernando Guimarães e Fernanda Torres. No fim consegue ser apenas um episódio esticado. E menos inspirado que costumeiramente era tanto na própria TV, quanto no divertido primeiro longa.
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A dita noite mais maluca de todas acompanha os noivos Ruy e Vani na busca pela parceira ideal para seu primeiro ménage à trois. Muita gag visual, piadas de duplo sentido e alguma graça. Mas nada que empolgue demais. Onde já se viu uma comédia se fazer de inteligente quando na verdade só quer ser uma bobagenzinha desbocada? Ou assume o deboche ou fica com cara de uma falácia modernosa. É bobinho e faz rir menos que poderia, principalmente pela dupla, que continua afinada, mas sem tanto o que fazer no meio de tanto lugar comum. Participações irregulares de Claudia Raia (bem ruim), Daniel Dantas (o ótimo vizinho), Daniele Suzuki (a fraquinha lutadora), Drica Moraes (a divertida prima), Danielle Winitis (ok), Mayana Neiva (a francesa que encanta) e Aline Moraes (praticamente uma ponta como uma bela prostituta).

Nota: 4,0
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INFORMAÇÕES ESPECIAIS:
O diretor José Alvarenga Jr. tem em sua filmografia alguns filmes dos Trapalhões, mas o único digno de nota é O Casamento dos Trapalhões (1988). Assinou também o bobo Zoando na TV (1999), o divertido Os Normais – O Filme (2003) e o ótimo Divã (2009);

Outras recomendações com o elenco de Os Normais 2 – A Noite mais Maluca de Todas:
Luiz Fernando Guimarães atuou em O Que É Isso, Companheiro? (1997);
Fernanda Torres venceu o prêmio de melhor atriz em Cannes por Eu Sei Que Vou Te Amar (1986) e atuou com destaque no instigante Gêmeas (1999) e no bom Casa de Areia (2005);

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Tempos de Paz

setembro22

Teatro Filmado

Fazer um filme baseado numa peça já é complicado. E quando se trata de uma peça basicamente onde dois atores digladiam pela atenção?  O texto em questão é de Bosco Brasil e a peça se chama ‘Novas diretrizes para os Tempos de Paz’. No cinema é apenas Tempos de Paz (Idem, 2009) de Daniel Filho, e não esconde sua origem teatral em nenhum momento. Cenários mínimos tornam-se palco para um interessante tete-a-tete entre um agente da imigração – e também ex-torturador – (Tony Ramos) e um imigrante da Polônia que deseja apenas esquecer os horrores da guerra e ter vida nova no Brasil (Dan Stulbach).

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A direção de Daniel Filho mira os atores todo o tempo, e associados com bons movimentos de câmera transformam por vezes a experiência em angustiante.  Não que se atenha somente a planos fechados, apesar de precisar deles para provocar envolvimento. Na verdade seu foco intimista nos transforma em testemunhas oculares da batalha oral, quase íntimos dos dois.

E quem ganha o embate?

Dramaticamente de longe o polonês de Stulbach está melhor. Transmite uma sinceridade singular, de olhos sempre emotivos. Com uma alegria quase triste e uma tristeza quase feliz, seu monólogo final é mágico. De travar qualquer um. Ramos ainda devia agradecer seu parceiro de cena por levá-lo aos seus melhores momentos, principalmente no finalzinho. Seu personagem tem a vantagem de ter uma marca no juízo, um trauma forte que deveria o favorecer, mesmo com tanta afirmação quanto sua incapacidade de se emocionar. Não faz feio, é verdade, mas perde de longe o combate dramático.

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Respectivamente na técnica e produção, fotografia e cenografia se complementam. Juntos compõem um quadro fechado, de cores tristes em tons amarelados. Visivelmente velho, acabado, abandonado pela vida, refletindo os protagonistas e antagonistas. Esse é o clima do porão, do depósito da imigração, numa meia-luz que por vezes fica quase sem iluminação.

O restante do elenco faz praticamente uma figuração. Louise Cardoso, Ailton Graça, Anselmo Vasconcelos, incluindo até Daniel Filho. Caladão e enigmático demais, mas sem efeito dramático algum, nem mesmo diante de uma pretensa revelação. O longa peca em tentar usar a trilha de forma emocional, e até há um flashback (ruim, ruim), só para fazer drama, mas não funciona. À toa.

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Tempos de Paz é um teatro (bem) filmado, com categoria, e ganha pontos consideráveis com a atuação irrepreensível de Dan Stulbach. E isso já é suficiente para fazer dele um bom filme. Ao fim, não saia antes da bela homenagem aos estrangeiros-brasileiros que chegaram após a guerra.

NOTA: 7,6

INFORMAÇÕES ESPECIAIS:
O ator, diretor, produtor e roteirista Daniel Filho tem no currículo os sucessos (de público) Se Eu Fosse Você (2006) e Se Eu Fosse Você 2 (2009), o correto A Partilha (2001), o ok A Dona da História (2004), o patético Muito Gelo e Dois Dedos D’Agua (2006), o fraco Primo Basílio (2007) e o divertido O Cangaceiro Trapalhão (1983);
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Dúvida

setembro21

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DUVIDAR É PRECISO?

Você acreditaria na palavra de um padre que sempre pregou o poder da dúvida em nossas vidas? Em Dúvida (Doubt, 2008) de John Patrick Shanley (baseado em sua própria peça vencedora do Pulitzer) testemunhamos de perto um caso de como uma simples dúvida pode mudar a vida de qualquer pessoa.

Estamos na América de 1964. O presidente está morto, o sonho acabou e o racismo ainda sobrevive. São tempos negros, cinzas, sem cores. Mas a igreja ainda influencia e representa boa parte do sentimento da população americana, seja ela em qualquer classe.

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Alertada pela inocente irmã James (Amy Adams), a lendária irmã Aloysios (Meryl Streep), duvida que o garoto negro Donald Miller (Joseph Foster) esteja sendo apenas protegido e educado pelo padre Flynn (Philip Seymour Hoffman) e o que estaria acontecendo seria um caso clássico de pedofilia.

Ele, a carismática figura dentro da paróquia e hierarquicamente superior. Ela, a linha dura que parece ser preenchida apenas com um sentimento irascível de inquisidora. Um combate sensacional capitaneado por atuações fulgurantes de Hoffman e a já eternamente glorificada Streep. Somos adornados ainda com mais duas belas interpretações. Amy Adams brinca (no bom sentido) com a imaturidade de sua personagem e Viola Davis reverbera dramaticidade em poucos, mas preciosos minutos em cena como a mãe negra do garoto. Santas e apaixonantes lágrimas urgem dos seus olhos, refletindo até no mais duro dos espectadores.

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Suas cinco indicações ao Oscar não negam suas origens teatrais, sendo texto e atuações as forças da obra. Concorreram o (bom) roteiro adaptado (assinado pelo próprio Shanley) e as atuações de Hoffman (cravando mais uma, aqui como coadjuvante), Streep indicada como atriz (cada vez mais recordista, totalizando 15 indicações), Adams e Davis, com um sentimento de prêmio pelas indicações, ambas como coadjuvante.

Shanley ainda capricha na ausência de cores dos cenários e nas inquietações sem freios que nossa mente pode gerar frente às interrogações. Precisamos mesmo duvidar diante de algo que não é provado? Do que vale sua postura e imagem impecável quando somos colocados à prova? Você crê que uma dúvida pode gerar outra? E outra? Pense de novo.

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E Meryl Streep merecia mesmo ganhar mais um Oscar? Merecia sim, mas não levou por causa do peso de duas vitórias anteriores (atriz por A Escolha de Sofia, de 1982, e de coadjuvante por Kramer Vs. Kramer, de 1979) e da forte concorrência (a vencedora Kate Winslet por O Leitor, levou mais pelo sentimento de dívida da Academia do que qualquer outra coisa). Mas não duvide se sua força de atuação nem por um segundo.

NOTA: 8,0

INFORMAÇÕES ESPECIAIS:

Se você gostou de Dúvida outras recomendações:

Meryl Streep em O Diabo Veste Prada (2006), indicada ao Oscar e vencedora do Globo de Ouro;

Philip Seymour Hoffman vencedor do Oscar e Globo de Ouro em Capote (2005);

Amy Adams em Encantada (2007), indicada ao Globo de Ouro;

Viola Davis em Noites de Tormenta (2008);

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Presságio

setembro18

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Ficção tensa e inteligente

Presságio (Knowing, 2009) de Alex Proyas, nos joga numa trama que envolve uma mensagem criptografada em 1959, que cinqüenta anos depois vai parar nas mãos do astrofísico John Koestler (Nicolas Cage), prevendo os maiores desastres da humanidade.

O início até aponta para o clichê, com uma garotinha estranha, a ausência de cores… Mas quando avançamos no tempo, e vem à tona uma discussão sobre o determinismo X livre arbítrio e outras surpresas, o clima de suspense toma conta da tela e Nicolas Cage oferece dedicação e credibilidade à obra (apesar dos exageros com a bebida).

Proyas, diretor ainda desconhecido pelo grande público, continua provando entende do riscado. Envolve uma boa história de ficção com seu visual e conta com o auxílio luxuoso (e primordial) de ótimos efeitos visuais. Duas cenas sensacionais: um envolvendo um avião e outro dentro do metrô. Além de ter um final corajoso. E muito bom.

NOTA: 8,0

INFORMAÇÕES ESPECIAIS
Do diretor Alex Proyas: O Corvo (1993), Cidade das Sombras (1998) e Eu, Robô (2004);

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