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Distrito 9

outubro27

Apartheid do futuro

Distrito 9 (District 9, 2009) do estreante em longas Neill Blomkamp é uma ficção científica. Tem cenas impressionantemente aceleradas. Na sua trama, alienígenas e humanos se enfrentam sem dó nem piedade, num derramamento de sangue digno do Dia D na Segunda Guerra Mundial. Mas apesar de todas essas características dignas de um blockbuster hollywoodiano, não espere o comum! Esqueça os clichês! E não espere nada convencional dessa co-produção Nova Zelândia/EUA rodada quase toda na África do Sul. Nada de heróis indestrutíveis, piadinhas para quebrar o gelo ou exaltação aos EUA.

Eu não tenho nem receio em aumentar as expectativas de ninguém, mas seu produto final apenas confirma que tudo aqui é simplesmente impressionante. Da história (corajosa) à realização. Ponto para o produtor Peter Jackson, mago por trás da multi-oscarizada Trilogia d´O Senhor dos Anéis (2001; 2002; 2003), que apostou na história do novato Blomkamp.

Para começar a nave dos extraterrestres não pousa em nenhum lugar doa EUA, e sim em Joanesburgo, África do Sul. Ao invés de ataques, são refugiados e se encontram desnutridos. E são muitos. O governo cria então o Distrito 9, onde humanos não são bem vindos. Uma multinacional é contratada para controlar os alienígenas, mas na tentativa de deslocá-los para um novo campo de concentração, o burocrata transformado em agente de campo Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley) começa a ter problemas em fazer o seu trabalho ao ter um contato mais que imediato.

Depois de uma pequena introdução em estilo jornalístico e documental, prepare-se para mais de uma hora e meia de tensão ininterrupta, sem tirar de dentro. O espectador é arremessado ao campo de guerra. E enquanto o sangue explode nas lentes das câmeras – como se fora em seu rosto – a câmera (viva) na mão registra o ódio subindo pelas tabelas. É apenas a constatação do fim da sociedade, sem direito a diferenças de raças, como um apartheid alienígena, ou mesmo de um futuro próximo. Sua violência em massa é legitimada pelo ódio escorrendo em cada ação, ao próximo. Humanos Vs. Ets. O racismo intermitente e o clima de guerra são apenas movimentos necessários para uma tentativa de grandes lucros para uma Empresa multinacional.

Algo mais doloroso? Sim. Nada disso se justifica.

Composto de um elenco de ilustres desconhecidos, seu protagonista é a excelente revelação Sharlto Copley, que lembra fisicamente Viggo Mortensen. Impossível imaginar um astro na pele de Wikus, passando o que ele passou. A constatação da materialização de um material tão brutal quanto real, quando se trata da segregação racial é outra fantástica surpresa, com seu roteiro duro, inteligente e corajoso. Aqui não tem nada bonitinho, tudo é sujo e possivelmente real. Se antes eram os negros, agora os atingidos são os Ets, pejorativamente chamados de “camarões” pelos humanos.

Entra em qualquer lista de melhores, se de ficções pensantes, material à frente do seu tempo ou mesmo que tem coragem de falar apenas a verdade: que o seu humano não cansa de ser egoísta, mesquinho, medroso e preso a qualquer tipo de amarras, sejam elas sociais, financeiras ou psicológicas. Medo. Tenha muito medo do futuro. Mas hoje reafirmo: num ano de poucas novidades na tela grande, Distrito 9 é um dos melhores, até aqui.
NOTA: 9,5
INFORMAÇÕES ESPECIAIS:
O produtor Peter Jackson venceu o Oscar de filme e direção por O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei (2003). Assinou ainda King Kong (2005), Os Espíritos (1996) e Almas Gêmeas (1994);

posted under Cinema
One Comment to

“Distrito 9”

  1. On novembro 24th, 2009 at 10:38 Priscilla Says:

    Vou querer ver. P. Jackson não tinha feito nada mais impressionante depois do LOTR….perdeu a força, sei lá (deve ter ido embora com uns quilinhos extras que ele perdeu também). Vou pagar pra ver!

    Andei sumida do meu blog, mas já tô voltando com ele….qualquer hora, passa lá!

    bjs

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