Script – Daniel Herculano

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Amor Sem Escalas

fevereiro7

upintheair_01Nada Cai do Céu

Apesar do bobo e açucarado título nacional, não se engane com o ótimo Amor Sem Escalas (Up in the Air, 2009) de Jason Reitman. É um drama. Tem um pouco de comédia, ácida por sinal. Mas também da uns pegas no romance. Mas acima de tudo é um filme adulto, que fala com inteligência. Atual – seu protagonista trabalha demitindo empregados de empresas à beira da falência – e com ótimas interpretações de George Clooney, cada vez mais galã, Vera Farmiga, com uma sensualidade madura, da novata Anna Kendrick e de um elenco de apoio muito bom.

clooney

A abertura é fantástica, voando por aí, com vistas e vistas. Preparando minuciosamente sua bagagem percebemos que seu mundo não é o mesmo em que vivemos. Sua vida é estar no ar, nas nuvens. Check in nas companhias aéreas, nos hotéis. Cartão de milhas, de empresas de locação de carros, de hotéis e mais hotéis. É cliente VIP por onde passa. Mas o que dizer de uma pessoa que passa mais de 300 dias por ano viajando? Bem ele mesmo diz que certo ano, teve de passar 47 dias miseráveis em sua casa. Suas rotinas são como leis. Até quando encontra uma mulher interessante numa de suas viagens (Vera Farmiga) e pretende repetir o encontro, tudo tem de ser marcadinho. Dia, horário, hotel… E quando Ryan Binghan (Clooney) tem de levar uma novata (Kendrick) para aprender seu trabalho, tudo se torna mais difícil.

vera

Clooney trabalha com seu sex appeal e seu poder de persuasão a favor de um personagem sem amarras e que não visita nem a família. De fala firme e postura sólida, ele constrói um homem com lampejos de adolescente, equilibrando sucesso no trabalho com descontração nos (poucos) momentos livres. Repare em seu apartamento. É frio, branco, vazio, sem qualquer identidade. Parece que ninguém mora ali. E não é? Perfeito. Perdeu o Globo de Ouro, mas concorre ao Oscar de ator pela boa atuação.anna

Farmiga está melhor que Kendrick, e ambas estão indicadas ao Oscar de atriz coadjuvante, mas com sabor de vitória pela indicação. Amor sem Escalas também concorre como melhor filme do ano, direção (Jason Reitman) e roteiro adaptado, pelo qual é (merecido) favorito, num total de seis indicações. Tem um final que pode não agradar aos mais doces, mas que corajosamente foi feito para refletir e mostrar nada cai do céu, e que a felicidade na sua vida vai acontecer como você mesmo a projetou. Então viva.

P.S.: O capitão do avião (Sam Elliott) que vem falar com George Clooney, num momento de conquista pessoal, me remeteu direto ao clássico Capitão Nemo…

NOTA: 8,8

jason reitman

INFORMAÇÕES ESPECIAIS

Filmografia selecionada do diretor Jason Reitman: indicado ao Oscar de direção por Juno (2007) – que também concorreu como melhor filme – estreou na direção de longas com o aplaudido Obrigado por Fumar (2005);

Outros filmes com o elenco de Amor Sem Escalas:

George Clooney vencedor do Oscar de coadjuvante por Syriana (2005); Vera Farmiga em Os Infiltrados (2006); Anna Kendrick em Crepúsculo (2008); Jason Bateman em O Reino (2007); Sam Elliot em Obrigado por Fumar (2005); J.K. Simmons em Juno (2007); Zack Galifianakis em Se Beber, Não Case! (2009);

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(500) Dias com Ela

janeiro28

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Indie-Nerd-Geek-Cool

(500) Dias com Ela (500 Days of Summer, 2009), de Marc Webb, é o tipo do filme do qual não se pode falar mal. É uma hype. Como uma música do Los Hermanos há 10 anos atrás. Está tudo no seu devido lugar. Como a casa que você arruma para receber ilustres amigos. Ou mesmo quem você deseja impressionar. Os livros mais interessantes ficam todos juntos. Como o roteiro que escolhe as palavras para se fazer casual, legítimo, verdadeiro. Os DVDs com os filmes cults e edições especiais têm prateleiras próprias. Como as imagens que são cuidadosamente editadas aleatoriamente. Ou como os cabelos que você geralmente despenteia para parecer mais cool. Um tapetinho esperto ali, um adorno acolá. Casal escolhido certeiramente. Ela (Zooey Deschanel), o sonho de todo indie-nerd-geek-cool do mundo, com suas duas bolas azuis gigantescas a nos enfeitiçar. Ele (Joseph Gordon-Levitt) é um indie-nerd-geek-cool do bem. Inteligente, culto, mas bem frágil. Bem, ela é ele e ele é ela na relação. E a trilha sonora para receber bem? Separar só CDs bacanas à vista de todos (incluindo a trilha daquele filme cult que todo mundo conhece), e se fazer um playlist selecionadíssimo para tocar a noite inteira. No filme a mesma coisa. Escolheram as músicas the best of para conquistar qualquer um que goste do retrô ao atual mundo moderninho da música. E como a história é de um rapaz que encontra uma garota, o gênero só poderia ser uma comédia romântica. Mas antes que sonhemos com um final feliz, e só para reafirmar que ao fazer diferente o igual é que as coisas são mais queridas, o narrador já avisa: não há um happy end. E sem esquecer de servir as bebidas e os aperitivos para acompanhar, é impossível que todos não saiam da sua casa felizes, talvez bêbados, queridos e com vontade de voltar por causa da boa recepção, do clima festivo e do astral positivo que sua casa oferecia. Como ao fim do longa. Impossível não ver sorrisos, a alegria estampada nos rostos, comentários positivos e vontade de ter a trilha sonora para si. Ou mesmo ver de novo. Agradar as pessoas é fácil, basta dar a elas o que estão esperando. Só faltou o algo mais para realmente surpreender. Ah, e o Outono/Autumn parece ser bem mais sóbrio e estável que o Verão/Summer. Não entendeu? Basta assistir…

NOTA: 8,0

INFORMAÇÕES ESPECIAIS

Prêmios: (500) Dias com Ela tem até aqui sete prêmios e outras 15 indicações. Entre as principais, indicado ao Globo de Ouro de filme (comédia ou musical) e ator (comédia ou musical) para Joseph Gordon-Levitt; Seu diretor (Marc Webb) foi eleito revelação do ano pelo National Board of Review; Está entre os possíveis concorrentes ao Oscar 2010;

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Outras recomendações com o elenco de (500) Dias com Ela: Zooey Deschanel (Summer) em Sim, Senhor (2008); Joseph Gordon-Levitt (Tom Hansen) em 10 Coisas que eu odeio em você (1999); Minka Kelly (Autumn) em O Reino (2007); Richard McGonagle (narrador) em Regras do Jogo (2000);

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OS MELHORES (E PIORES) FILMES DE 2009

janeiro28

OS MELHORES (E PIORES) FILMES DE 2009

A sétima arte é o principal ponto da coluna Script, que escrevo para O Povo On Line (www.opovo.com.br) desde agosto de 2006. Semanalmente resenho filmes em cartaz nos cinemas, e em 2009 busquei também abrir espaço para lançamentos em DVD e Blu-Ray, para quem não vai ao cinema, mas ainda assim não dispensa um bom filme no conforto de sua casa.

O ano de 2009 já foi, mas ainda não o esqueci. Como faço todo ano, publico aqui a lista dos melhores e piores do ano da coluna Script, por Daniel Herculano. Depois de quase 250 filmes na cabeça é chegada a hora de expor aplausos e embaraços mais diversos possíveis, e além da lista também destaco outras recomendações (e não-recomendações). E aproveitem, já que vários deles estão disponíveis nas locadoras.

Sempre lembrando: os elegíveis da lista são longas-metragens, que estrearam comercialmente nos cinemas do Brasil do dia 1 de janeiro até 31 de dezembro de 2009 (não vale mostras especiais ou festivais de cinema), independente do ano de produção dos mesmos. Por isso não estranhe a inclusão de filmes de anos anteriores (que estrearam somente em 2009) e a possível ausência de prováveis indicados e/ou vencedores do Oscar 2010, ainda a estrear.

As listas seguem abaixo:

OS MELHORES FILMES DE 2009

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10. Intrigas de Estado (State of Play, 2009) de Kevin Macdonald, é um excelente emaranhado de informações, que envolve (com gosto) política, jornalismo (sobretudo o investigativo), o mundo corporativo e o jogo de interesses que corrói todas as relações do poder. A adaptação de uma minissérie inglesa traz um elenco afiado (Russell Crowe, Ben Affleck, Helen Mirren, Robin Wright), drama e suspense em doses bem distribuídas, perspicaz e de substância crítica. É a prova que ainda existe vida no cinema para cabeças pensantes ou que existem cabeças pensantes que dão vida ao cinema? Como preferirem;

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9. Amantes (Two Lovers, EUA, 2008) de James Gray. Joaquim Phoenix declarou que essa seria sua última atuação no cinema. Muita gente não acreditou, e se realmente for vale cada segundo na tela. Na pele de um bipolar controlado que se deixa levar para um relacionamento com a bela e agradável filha do sócio de seu pai (Vinessa Shaw), mas que ao conhecer por acaso sua vizinha (Gwyneth Paltrow), põe em cheque suas escolhas de vida. Parafraseando Zélia Bastos: “inevitavelmente nos faz lembrar que homens não escolhem muita coisa, deixam que a vida e/ou as mulheres o façam por eles”. Um drama romântico humano, simples e cheio de verdades, basta encará-las;1

8. Sinédoque, Nova York (Synecdoche, New York, EUA, 2008) é espantoso e auto-referencial. Seu sensacional roteiro que aborda o poder da criação, onde a vida de um autor teatral é representada, adaptada num roteiro em tempo real. Num efeito espelho onde sua vida (e as de quem a habitam, compõem, esbarram ou até mesmo são apenas extras) é uma peça ao vivo, com o teatro, o cinema e a representação da vida, saboreadas indescritivelmente juntas. Estréia na direção de Charlie Kaufman, vencedor do Oscar de roteiro original por Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (2005);

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7. Distrito 9 (District 9, EUA/Nova Zelândia/África do Sul, 2009) de Neill Blomkamp. Como se fora um apartheid entre alienígenas e humanos, que se enfrentam sem dó nem piedade, num derramamento de sangue impressionante. Aqui não tem nada bonitinho, tudo é sujo e possivelmente real. Se antes eram os negros, agora os atingidos são os Ets, pejorativamente chamados de “camarões” pelos humanos. Ficção pensante, com roteiro corajoso, que tem coragem de falar apenas a verdade: que o seu humano não cansa de ser egoísta, mesquinho, medroso e preso a qualquer tipo de amarras, sejam elas sociais, financeiras ou psicológicas. Indicado ao Globo de Ouro de roteiro;

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6. Valsa Com Bashir (Waltz with Bashir/Vals Im Bashi, Israel, 2008) de Ari Folman, nada mais é do que um libelo (psicodélico) pela paz. E espetacular. Com imagens tingidas de dor, mas também cravejadas de criatividade, acompanhamos o próprio diretor em busca da reconstrução de suas memórias. Na tela, as cores, os sons e as imagens nos transportam para um sonho (ou seria pesadelo?) onde parecia ser tudo, exceto a realidade. De arregalar os olhos, de apertar o coração e de arrepiar a alma. Indicado ao Oscar de filme estrangeiro e vencedor do Globo de Ouro;

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5. Quem Quer ser um Milionário? (Slumdog Millionaire, Reino Unido, 2008) de Danny Boyle, não é sobre dinheiro, apesar de ter um possível milionário como protagonista. Também não se trata de pobreza, mesmo se passando nas favelas de Mumbai, na Índia. A obra é sobre um milhão de sentimentos e atinge direto ao coração, uma prova de que não ganhou somente vários prêmios pelo mundo (incluindo oito Oscars – filme, diretor…), mas principalmente conquistou a admiração dos espectadores que se entregaram à alegria de acreditar na felicidade novamente;

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4. O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, EUA, 2008) de David Fincher. Essa superprodução vencedora de três Oscars (Direção de Arte & Cenários, Maquiagem e Efeitos Especiais) não é apenas feita de técnica. Assim como seu protagonista, nasceu para emocionar com sua mágica vida incomum, seja ela do fim até o início ou do início até o fim. Porque não importa onde começa e nem onde termina a viagem. E sim o quê se aprende, e como vivenciamos durante todo o percurso;

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3. A Partida (Okuribito/Departures, Japão, 2008) de Yôriro Takita. É um drama de minúcias, e constrói suas emoções assim como os orientais elaboram todo e qualquer tipo de trabalho, com cuidado, carinho e atenção. Tachado de surpresa, venceu o Oscar de filme estrangeiro em 2009, mas é tão espetacular onde até uma pedra é capaz de emocionar. A pedra-carta em questão traz lembranças à tona, encharcados de sentimentos antes perdidos no tempo. Ao assistir é como se fôssemos acariciados com o conjunto de belíssimas imagens e trilha sonora, capazes de repensar a vida, redescobrir alegrias e desenterrar sentimentos;

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2. Bastardos Inglórios (Inglorius Basterds, EUA/Alemanha, 2009) de Quentin Tarantino. A Segunda Guerra Mundial é campo para destilar sua violência cômica. Não é história, é cinema. Maiúsculo e dos bons, como há algum tempo não se via. Concorreu à Palma de Ouro em Cannes, mas levou o prêmio de melhor ator para Christoph Waltz, o soberbo vilão. Brad Pitt está ótimo, armado de bigodinho retrô-brega, faca e metralhadora. Indicado ao Globo de Ouro de filme (drama), ator coadjuvante (Waltz – que venceu), direção e roteiro (Tarantino), deve emplacar também indicações ao Oscar;

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1. Avatar (Idem, EUA, 2009) de James Cameron. Preparados para uma viagem inesquecível? Bem vindos à Pandora. Uma ficção científica de revoluções por minuto, provando mais uma vez que quando sentamos numa poltrona de cinema podemos viajar para outros mundos. E mesmo irreal, transforma aquele momento na coisa mais crível do mundo. Épico (tridimensional) por natureza, é uma experiência obrigatória em 3D, pois foi feito especialmente para ser visto em 3D. Apto até de mudar a sua percepção de ver cinema. Cinema de verdade! Ah, e Pandora é também a coisa (irreal) mais linda que já surgiu numa tela de cinema. Venceu os Globos de Ouro de filme (drama) e direção (James Cameron) e já desponta como favorito nas indicações ao Oscar;

Dupla Menção Honrosa:

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O Lutador (The Wrestler, EUA/França, 2008) de Darren Aronofsky tem estilo documental e sem os arroubos visuais vistos anteriormente em suas obras, mas é um nocaute sentimental para quem assiste. Não é piegas, nem dramalhão. Apenas é vida sem poesia, gente de carne, osso e lágrimas em estado bruto. A história de glória, o destempero e a derrocada de Mickey Rourke (indicado ao Oscar) cruza um pouco com a trama arrebatadora do próprio drama que venceu o Leão de Ouro em Veneza;

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Eu Te Amo, Cara (I Love You, Man, EUA, 2009) de John Hamburg. Quem nunca quis ter um melhor amigo de todas as horas? Paul Rudd vai casar e descobre que não tem esse cara na sua vida. Mas encontra no sensacional Jason Segel. Fãs do Rush eles fazem jams (“Slapping the Bass!” – Dedilhando meu baixo!), bebem todas, conversam bobagens, falam sobre seus problemas e passam bons momentos juntos! Parece simples, mas é apenas isso é necessário para fazer uma amizade verdadeira, as pequenas e significativas coisas. Comédia inteligente, trilha sonora afiada e química perfeita no duo central. Tenho certeza que muitos se identificaram com a amizade verdadeira dos dois;

Outras recomendações (sem ordem de preferência): Gran Torino (Idem, EUA, 2009) de Clint Eastwood; Star Trek (Idem, EUA, 2009) de J.J. Abrahams; É Proibido Fumar (Idem, Brasil, 2009) de Anna Muylaert; Anticristo (Antichrist, Dinamarca/Alemanha/França/Suécia/Itália/Polônia, 2009) de Lars Von Trier; Te Amarei Para Sempre (Time Traveler´s Wife, EUA, 2009) de Robert Schwentke; Simplesmente Feliz (Happy-Go-Lucky, Reino Unido, 2008) de Mike Leight; Se Beber, Não Case! (The Hangover, EUA, 2009) de Todd Phillips; Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and the Half-Blood Prince, EUA/Reino Unido, 2009) de David Yates; Arraste-me Para o Inferno (Drag me to Hell, EUA, 2009) de Sam Raimi; Desejo & Perigo (Se, Jie/Lust, Caution, EUA/Taiwan/China/Honk Kong, 2007) de Ang Lee; Menção dupla: Up – Altas Aventuras (Up, EUA, 2009) de Pete Docter & Bob Peterson; Inimigos Públicos (Public Enemies, EUA, 2009) de Michael Mann;

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OS PIORES FILMES DE 2008:

1. Veronika Decide Morrer (Veronika Decides to Die, 2009), de Emily Young, adaptação do livro de Paulo Coelho. Ensaia um drama pesado sobre uma tentativa de suicídio, mas termina como uma bobagem (quase televisiva) em estado terminal. Tão simplista que se torna moribundo, já morreu e teima em não ser enterrado – ou chegar ao fim;

2. Noivas em Guerra (Bride Wars, EUA, 2009) de Gary Winick. É uma comédia. Mas completamente sem graça. Qual é a vantagem de ver duas belas mulheres se pegando para saber quem vai casar primeiro? Guerra de bolo, cabelo pintado, bronzeamento artificial, gritaria e puxões de cabelo dão o tom do vexame para Kate Hudson e Anne Hathaway;

3. Transformers – A Vingança dos Derrotados (Transformers – Revenge of the Fallen, EUA, 2009) de Michael Bay é como um cano de descarga furada de uma lata velha: faz muito barulho, tira nosso juízo e ainda prejudica o meio ambiente. Sem combustível (ou sem sentido?) e com o pneu furado (ou seria o roteiro?) fica no meio do caminho, sem destino entre uma história que quer (ou tenta) justificar origens, batalhas, vingança… Mero pretexto para uma explosão a cada 30 segundos num interminável longa de duas horas e meia!;

4. G.I. Joe: A Origem de Cobra (G.I. Joe: The Rise of Cobra, EUA/República Tcheca, 2009) de Stephen Sommers, leva às telas os brinquedos da Hasbro (antigos Comandos em Ação) sem nenhum brilho, que de tão fraco caberia até uma soneca, se não tivesse tanto barulho. Diluído entre bordões militares e flashbacks explodindo em clichês, não vale nem de brincadeira;

5. O Dia em que a Terra Parou (The Day the Earth Stood Still, EUA/Canadá, 2007) de Scott Derrickson. Uma terrível refilmagem do clássico B, de 1951, de mesmo nome, no qual a mensagem de paz (e ecos de guerra-fria) é substituída por um conteúdo tão oco quanto um pastel de vento. Se você é fã de Keanu Reeves, aprecia a beleza (e o talento) de Jennifer Connelly ou adora efeitos especiais, estas parecem ser as únicas desculpas (estúpidas) para arriscar isso aqui;

6. Marido por Acaso (Accidental Husband, EUA/Reino Unido, 2008) de Griffin Dunne, é uma comédia romântica que apesar de Uma Thurman, é uma tremenda perda de tempo. Roteiro que abusa de piadas físicas e coloca a loira numa tremenda roubada ao desfazer o noivado por causa de um mal entendido no seu programa de rádio. Mal editado, cheio de furos e com problemas de tom (escorrega na comédia e não acerta no romance), não indico nem por acaso;

7. Austrália (Idem, EUA/Austrália, 2008) de Baz Luhrmann. No início um clima tosco de comédia física toma conta da apresentação histérica dos personagens. Depois nos vemos no meio de um western implausível. Não terminou, porque entra em cena a sedução, ah o romance-chavão. Continua como um drama de guerra, e a emoção barata é o grande trunfo, acredite. Um novelão australiano que conjuga todas as características do kitsch;

8. Anjos da Noite – A Rebelião (Underworld: Rise of the Lycans, EUA/Nova Zelândia, 2009) de Patrick Tatopoulus. A série nunca foi lá grande coisa e nessa pré-continuação chegou ao fundo da tumba! Vexame para o vampiro-mor de Bill Nighy, o lobisomen de Michael Sheen (fazendo pose de fortão) e a vampirinha safada de Ronha Mitra (de lábios arrebatadores!). Ainda temos defeitos especiais e uma fotografia tão escura que é um breu só, mas que serve pelo menos para esconder tanta porcaria na tela;

9. Besouro (2009) é estréia decepcionante do premiado publicitário João Daniel Tikhomiroff. Os pontos altos são seus combates coreografados no ar, com o elenco puxado por cabos. Mas se apenas lutas nos céus e coreografias de capoeira fossem capazes de fazer uma obra no mínimo divertida, tudo seria ótimo. Capaz de fazer pouco mais de uma hora e meia demorar meio século, a obra de ação brasileira voa com o destino ao esquecimento, e de tão raquítica, bem que poderia se chamar apenas mosquito;

10. Empatados, as continuações nacionais, que mesmo com um sucesso de público gigantesco, não passam de filmes formulaicos (e fraquinhos):

Os Normais 2 – A Noite Mais Maluca de Todas (2009), de José Alvarenga Jr., não é exatamente cinema. Está mais para um conjunto de quadros do extinto programa de TV que lhe deu origem. E menos inspirado que costumeiramente era tanto na própria TV, quanto no divertido primeiro longa;

Se Eu Fosse Você 2 (2009) é apenas a repetição da fórmula de seu antecessor… Com suas incontáveis repetições de piadas (quase cópias de antigas comédias americanas) e clichês do gênero troca de corpos e comédias de situações. E ao que parece (infelizmente) não vai parar por aqui;

Menção Desonrosa:

Lua Nova (New Moon, EUA, 2009) de Chris Weitz, não é um filme e sim uma febre, uma doença encharcada de romantismo (inócuo) e dilemas adolescentes diluídas numa trama sem gosto. Tão saborosa quanto um miojo ensangüentado, coisa que nem os vampirinhos bobinhos da trama são capazes de provar. Não tinha como ser pior que Crepúsculo, pelo conjunto de fatores, mas ainda é uma tremenda perda de tempo, onde roteiro infantil e atuações ruins nos dão a dimensão do quanto industrializados podem ser a literatura, o cinema, seus subprodutos e por consequência seu público;

Não recomendados (sem ordem de não preferência): The Spirit – O Filme (The Spirit, EUA, 2008) de Frank Miller; Força Policial (Pride & Glory, EUA, 2008) de Gavin O´Connor; Heróis (Push, EUA/Reino Unido/Canadá, 2009) de Paul McGuigan; Sexta-Feira 13 (Friday the 13th, EUA, 2009) de Marcus Nispel; Território Restrito (Crossing Over, EUA, 2009) de Wayne Kramer; Dia dos Namorados Macabros 3D (My Blood Valentine 3D, EUA, 2009) de Patrick Lussier; Jogo Entre Ladrões (The Code/Thick as Thieves, EUA/Alemanha, 2009) de Mimi Leder; 17 Outra Vez (17 Again, EUA, 2009) de Burr Steers; O Leitor (The Reader, EUA/Alemanha, 2008) de Stephen Daldry; 2012 (EUA, 2009) de Roland Emmerich;

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*Daniel Herculano é estudante de Jornalismo. Crítico de cinema formado em cursos com Pablo Villaça (Cinema em Cena), Ruy Gardnier (Jornal O Globo/Contracampo) e Joaquim Assis (Roteirista). Graduado em Comunicação Social, é publicitário, produtor musical e assessor de comunicação. Atualmente escreve sobre cinema para a Revista O Grito (www.revistaogrito.com) de Recife-PE, e assina a coluna Listas em Cena no site Cinema em Cena (www.cinemaemcena.com.br);

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Anticristo

dezembro29

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Para mente, estômago e peito bem fortes

É um drama que pesa até na alma, mas Anticristo (Antichrist, 2009) de Lars Von Trier, é de arrepiar. Indicado à Palma de Ouro em Cannes, levou o prêmio de atuação feminina para Charlotte Gainsbourg, que visceralmente se entrega ao papel de uma mãe que perde o filho enquanto fazia amor com seu esposo (Willem Dafoe). Mea culpa? Ah, pode esperar por uma sucessão de loucuras causada pelo trauma de se sentirem culpados pela morte do filho. Pode até ser incompreendidos por muitos, mas para quem tem mente, estômago e peito bem fortes, é excepcional.

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Eles não têm nomes, são apenas ele (Willem Dafoe, ótimo) e ela (Charlotte Gainsbourg, visceral). O prólogo é uma sensacional conjunção de imagens belas, fortes (de tintas entre o sépia e o preto & branco) e uma música clássica arrebatadora. Depois disso o delírio entra cabana adentro, local escolhido para repensar sobre a vida, enfrentar a tragédia, expor as dores e tentar curar os traumas. Já disponível para locação, é um exercício de estilo e insanidade de Lars Von Trier, que corajosamente não fez concessões nas cenas de sexo, violência e principalmente na automutilação.
NOTA: 8,5

DVD disponível para avaliação não constavam extras;
INFORMAÇÕES ESPECIAIS:

Diretor e roteirista Lars Von Trier venceu a Palma de Ouro em Cannes por Dançando no Escuro (2000) e o Grande Prêmio do Júri por Ondas do Destino (1996), também indicado à Palma de Ouro. Ainda pela Palma de Ouro concorreu com Os Idiotas (1998), Dogville (2003) e Manderlay (2005);

Outras recomendações com o elenco de Anticristo:

Willem Dafoe indicado ao Oscar e Globo de Ouro de coadjuvante por A Sombra do Vampiro (2000) e ao Oscar de coadjuvante por Platoon (1986);

Charlotte Gainsbourg venceu o César de coadjuvante em Três Irmãs (1999);

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Ainda aqui!

dezembro26

Desculpem a sumida, mas é tanta coisa acontecendo…

Enfim, estou revendo a Trilogia Karate Kid, em breve texto.

No cinema, Avatar! Nossa que loucura!

A lista dos melhores e piores do ano deve sair entre a primeria e a segunda semana de janeiro.

Até!

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Distrito 9

outubro27

Apartheid do futuro

Distrito 9 (District 9, 2009) do estreante em longas Neill Blomkamp é uma ficção científica. Tem cenas impressionantemente aceleradas. Na sua trama, alienígenas e humanos se enfrentam sem dó nem piedade, num derramamento de sangue digno do Dia D na Segunda Guerra Mundial. Mas apesar de todas essas características dignas de um blockbuster hollywoodiano, não espere o comum! Esqueça os clichês! E não espere nada convencional dessa co-produção Nova Zelândia/EUA rodada quase toda na África do Sul. Nada de heróis indestrutíveis, piadinhas para quebrar o gelo ou exaltação aos EUA.

Eu não tenho nem receio em aumentar as expectativas de ninguém, mas seu produto final apenas confirma que tudo aqui é simplesmente impressionante. Da história (corajosa) à realização. Ponto para o produtor Peter Jackson, mago por trás da multi-oscarizada Trilogia d´O Senhor dos Anéis (2001; 2002; 2003), que apostou na história do novato Blomkamp.

Para começar a nave dos extraterrestres não pousa em nenhum lugar doa EUA, e sim em Joanesburgo, África do Sul. Ao invés de ataques, são refugiados e se encontram desnutridos. E são muitos. O governo cria então o Distrito 9, onde humanos não são bem vindos. Uma multinacional é contratada para controlar os alienígenas, mas na tentativa de deslocá-los para um novo campo de concentração, o burocrata transformado em agente de campo Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley) começa a ter problemas em fazer o seu trabalho ao ter um contato mais que imediato.

Depois de uma pequena introdução em estilo jornalístico e documental, prepare-se para mais de uma hora e meia de tensão ininterrupta, sem tirar de dentro. O espectador é arremessado ao campo de guerra. E enquanto o sangue explode nas lentes das câmeras – como se fora em seu rosto – a câmera (viva) na mão registra o ódio subindo pelas tabelas. É apenas a constatação do fim da sociedade, sem direito a diferenças de raças, como um apartheid alienígena, ou mesmo de um futuro próximo. Sua violência em massa é legitimada pelo ódio escorrendo em cada ação, ao próximo. Humanos Vs. Ets. O racismo intermitente e o clima de guerra são apenas movimentos necessários para uma tentativa de grandes lucros para uma Empresa multinacional.

Algo mais doloroso? Sim. Nada disso se justifica.

Composto de um elenco de ilustres desconhecidos, seu protagonista é a excelente revelação Sharlto Copley, que lembra fisicamente Viggo Mortensen. Impossível imaginar um astro na pele de Wikus, passando o que ele passou. A constatação da materialização de um material tão brutal quanto real, quando se trata da segregação racial é outra fantástica surpresa, com seu roteiro duro, inteligente e corajoso. Aqui não tem nada bonitinho, tudo é sujo e possivelmente real. Se antes eram os negros, agora os atingidos são os Ets, pejorativamente chamados de “camarões” pelos humanos.

Entra em qualquer lista de melhores, se de ficções pensantes, material à frente do seu tempo ou mesmo que tem coragem de falar apenas a verdade: que o seu humano não cansa de ser egoísta, mesquinho, medroso e preso a qualquer tipo de amarras, sejam elas sociais, financeiras ou psicológicas. Medo. Tenha muito medo do futuro. Mas hoje reafirmo: num ano de poucas novidades na tela grande, Distrito 9 é um dos melhores, até aqui.
NOTA: 9,5
INFORMAÇÕES ESPECIAIS:
O produtor Peter Jackson venceu o Oscar de filme e direção por O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei (2003). Assinou ainda King Kong (2005), Os Espíritos (1996) e Almas Gêmeas (1994);

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Veia de Lutador

outubro20

Lutando até o Fim

Veia de Lutador (Fighting, 2009) de Dito Montiel é um bom drama sobre um jovem (Channing Tatum) que chega à Nova York com a cara e a coragem e de repente se vê embrenhado no submundo das lutas apostadas. Do lixo ao luxo em semanas. Mas que nunca deixa de ser um gueto. Com suas ciladas, da vida, de como podemos confiar (ou não) nas pessoas.

Menos autoral que sua primeira incursão no cinema (o autobiográfico e premiado Santos e Demônios, de 2006), Montiel está mais comercial e parte decidido para mostrar brutalidade nas cenas de luta e certo lirismo com seu protagonista. E exatamente nesses opostos que centra sua capacidade de envolver o espectador e fazer com que torçamos por seu nobre cavaleiro em busca não apenas da grana, mas também de sua honra.

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O elenco tem boas atuações, capitaneado pelo ótimo Terrence Howard na pele do golpista Harvey Boarden. Com pose de galã, o ascendente Channing Tatum (do blockbuster G. I. Joe – A Origem de Cobra) faz o seu, como o garoto de bom coração que sabe bater com força, pois a vida já bateu nele o suficiente. Seu interesse romântico, Zulay, não faz feio, e é uma gata! Possivelmente qualquer um lutaria para ter uma chance. E para não perder o costume, Luis Guzmán, um dos maiores coadjuvantes do cinema faz – como sempre – um bom apoio como Martinez.

Inédito nos cinemas do Brasil, mas já disponível nas locadoras, Veia de Lutador não tem tantas surpresas, mas é digno por nos fazer acompanhar seus personagens lutando até o fim por uma vida melhor, unindo num mesmo pacote tensão, drama e diversão.

Fighting Poster - Click to View Extra Large Image

NOTA: 7,5

INFORMAÇÕES ESPECIAIS:
Entrevista Exclusiva com Terence Howard (indicado ao Oscar em Ritmo de um Sonho, 2005):

Como foi sua preparação para esse personagem? Parece muito diferente de você.

TH: Havia alguma parte de mim mesmo nesse personagem. Havia algum espírito quebrado que eu não superei. É como a terapia. Você tem que expor o lado amedrontado de você.

Como você o descreveria?

TH: Não poderia fazer uma coisa aceitável. Poderia imaginar ter o ímpeto para algo bom, mas não saber expressá-lo bem? O mundo tem batido nele tão forte, que já não sabe ser ele mesmo.

Pode você compreender no que as pessoas se vêem atraídas no ato de lutar?

TH: Nós mesmos não gostamos do que somos. E parece que nunca é uma outra pessoa lutando, somos nós lá na luta. É o que temos dentro de si. Eu não penso que glorifica a luta, mas de algum modo ela é tão intrínseca na humanidade. Esta luta não tem nenhuma regra de vida ou morte. Não é sobre os olhos roxos e os narizes sangrentos, e sim sobre você mesmo.

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Che: Parte I (O Argentino) e Che: Parte II (A Guerrilha)

outubro19

A formação de um mito

A primeira parte da cinebiografia de Ernesto Che Guevara assinada por Steven Soderbergh, Che – Parte I (Che – Part One, 2008) deu a Benicio Del Toro o prêmio de melhor ator em Cannes no ano passado. Mais que merecido, sem ele o drama seria manco, surdo, mudo e sem sentido, ele É O FILME.

Dotado de um grande (e bom) elenco, incluindo Rodrigo Santoro, Catalina Sandino Moreno, Jorge Perugorría e Julia Ormond, todos com pouco tempo na tela, exceto por Demián Bichir como Fidel Castro, mas que parecem pequenos, frente ao gigante Che de Benício Del Toro.

Com uma (ótima) fotografia crua, Che – Parte I carece um pouco de ritmo, raspando na lentidão, exigindo assim do espectador uma maior atenção. Mesmo com interessantes idas e vindas no tempo (e seus fatos históricos), como forma de moldar o caráter do seu protagonista e toda sua dura formação, existe ao fim um sentimento incompleto da história, onde só testemunharemos por completo quando o segundo capítulo chegar.

NOTA: 7,0

Triste fim

Steven Soderbergh pensou na história de Erneste “Che” Guevara como um grande longa, mas a necessidade do mercado internacional o fez dividir a história em duas partes, transformando uma grande obra em dois filmes distintos. Não pela qualidade ou técnica, mas pelos estilos, abordagens e com os próprios temas. Enquanto o primeiro (Che: Parte I – O Argentino) – entre idas e vindas no tempo – construía vibrantemente um mito, Che: Parte 2 – A Guerrilha (Che – Part 2: Guerrilla, 2008) elabora um triste fim para um bravo guerrilheiro. É penoso, quase sem cores, mas com excepcional interpretação de Benicio Del Toro (melhor ator em Cannes) e de clima ofegante, real. Da decisão entre Fidel Castro e Che de inserir uma nova política revolucionária a desastrosa invasão à Bolívia. Dá até vontade de chorar com tanto sofrimento.

Nota: 6,5

INFORMAÇOESPECIAIS:

Quando estreou no Festival de Cannes em 2008, o filme de Steven Soderbergh era um só Che, com os capítulos O Argentino (Parte I) e O Guerrilheiro (Parte II) num total de quase 5 horas de duração. Para o mercado internacional editaram o longa, dividido em duas partes distintas. Alguns países adotaram os subtítulos para as partes I e II, respectivamente O Argentino (duas horas e onze minutos) e O Guerrilheiro (duas horas e catorze minutos), o qual não é o caso do Brasil;

O diretor Steven Soderbergh ganhou o Oscar de direção por Traffic (2000) e a Palma de Ouro em Cannes por Sexo, Mentiras e Videotape (1989). Assina também Irresistível Paixão (1998) e a Trilogia 11, 12 e 13 Homens e um Novo Segredo (2001; 2004; 2007);

O ator Benicio Del Toro ganhou o Oscar, Globo de Ouro e Urso de Prata em Berlim de coadjuvante por Traffic (2000) e indicado por 21 Gramas (2003);

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Bastardos Inglórios

outubro14

Segunda Guerra Mundial Pop

Quentin Tarantino é icônico. E todas as características que fizeram seu nome no cinema estão aqui. Um grande astro atuando (Brad Pitt), um até então desconhecido brilhando (Christoph Waltz). Diálogos referenciais? Confere. Homenagem ao cinema? Claro. Capítulos para contar sua história? Sim. Tanto sangue quanto risos? Sem dúvida. Tom irônico e caricatural? Aham. Bastardos Inglórios (Inglorius Basterds, 2009) não ganhou a Palma de Ouro em Cannes, mas justifica todo o barulho que fez por lá, que ainda levou um prêmio dito de consolação, mas não menos merecedor (melhor ator para Waltz). A Segunda Guerra Mundial é campo para destilar sua violência cômica. Não é história é cinema. Maiúsculo e dos bons como há algum tempo não se via.

Durante a ocupação alemã na França, um grupo de soldados judeus americanos – os Bastardos Inglórios do título – liderados pelo tenente Aldo Raine (Pitt) colocam em prática um plano para eliminar o maior número de nazistas possíveis. Depois, ao unir forças à agente secreta Bridget Von Hammersmark (Diane Kruger) buscam acabar com Hitler e os líderes do Terceiro Reich. Paralelamente, a judia Soshanna (Mélanie Laurent) reencontra o algoz de sua família, o Coronel Hans Lada (Waltz), e trama um plano de vingança.

O prólogo arrebatador já demonstra ao que veio. Sem pressa distribui em seus (longos) diálogos não apenas palavras, mas sentimentos e até tensão dramática. Com nuances de western spaghetti – repare no uso incontido das trilhas, dos temas, das paisagens à espera da ação – Tarantino não se cansa de ser cinematográfico. Seu domínio de câmera consegue ser sério, faz travellings, desfila nas salas, passeiam nos cenários e vão até debaixo do assoalho de uma casa (ratos=judeus). Quando quer anda em ritmo de caricatura e mesclando violência com hilariantes seqüências. O diretor e roteirista lembra sempre que estamos assistindo uma obra assinada. Os inserts brincalhões entretêm e até a narração (de Samuel L. Jackson) funciona. Para brincar com a verdade, claro, e exatamente esse é o maior propósito (e mérito) da fita. Então, faz todo sentido.
Destila ironia e divide em capítulos uma sua história, mas dessa vez em ordem cronológica. Não manda recado, explode no ato! O contexto vingança se confunde com a missão (operação Kino) comandada – veja só – por um ex-crítico de cinema que virou oficial (Michael Fassbender). Repare na ponta curiosa de Mike Myers como o comandante que descreve passo-a-passo a missão numa sala que mais parece um cenário de Dr. Fantástico (1964) de Stanley Kubrick. Referencial: cinema!

Como de costume, Tarantino tem o hábito de remover gente das cinzas alguém esquecido ou muito bom que ainda não recebera uma grande chance. E a última opção cai bem para o austríaco Christoph Waltz, soberbo como o Coronel Hans Lada, o Caçador de Judeus. Premiado na TV, aqui recebe seu passaporte carimbado por Tarantino para Hollywood e não desperdiça nem por um segundo. Sua construção é um espetáculo, do começo ao fim. Frio, inteligente e com uma paciência que só ele sabe aonde quer chegar. Provoca tensão com um riso nos lábios e surpreende a cada aparição. Acredite, é um vilão com um carisma admirável.

Brad Pitt – armado de bigodinho retrô-brega, faca e metralhadora – é um obstinado caipira que adora escalpelar nazista e assim acredita na força de sua missão. Seu inglês é rústico (perfeito), mas a graça é total quando arrisca um frouxo e macarrônico italiano. Bizarro e que não deixa de ser cômico nem por um instante. Seus comparsas o acompanham na caricatura, perfeitos, com destaque para Hugo Stiglitz (Til Schweiger, ótimo), um alemão que ama matar nazistas, obrigatoriamente fazendo cara de cachorro raivoso. No clima over há ainda os satirizados Hitler (Martin Wuttke) e Goebells (Sylvester Groth). Todos exagerados e por isso mesmo no ponto. Mas meio de tanta gente de mentira, também do lado nazista o atirador Zoller (Daniel Brühl) é plausível e um personagem interessante e bem explorado.

E quanto as belas mulheres? Quem se sai melhor é Mélanie Laurent. Da fuga desesperada, passando pela divina cena de choro depois de um struedel até seus momentos dignamente cinematográficos dentro do próprio cinema. A charmosa Diane Kruger está bem na pele da espiã com a dubiedade necessária e tem uma ótima piada sobre idiomas e americanos. Um dos (muitos) pontos irônicos da trama, a qual praticamente todos os personagens falam no mínimo duas línguas (incluindo até um mero fazendeiro)… Por isso mesmo a piada contra os americanos é tão real que se torna engraçada.

Bastardos Inglórios tem imagens tensas (cena da taverna), empolgantes (cinema lotado!) e até heróicas (tiroteio na sala de projeção), enquanto a fumaça e o rosto marcam eternamente aquele sequncia na história no cinema. Tarantino literalmente metralha a história com mortes surpreendentes, escalpos para todos os lados, palavrões e (ótimos) diálogos longos, mas tão afiados quanto a faca do comandante Pitt, que marca os nazistas como ninguém. Imperdível, envolvente e adjetivamente um dos melhores do ano. Quentin Tarantino obrigado por tudo, mais uma vez.

NOTA: 9,5

INFORMAÇÕES ESPECIAIS:

O diretor e roteirista Quentin Tarantino venceu a Palma de Ouro em Cannes e o Oscar de roteiro original por Pulp Fiction (1994);

Christoph Waltz venceu o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes por Bastardos Inglórios, e já está cotado para concorrer ao Oscar 2010, mas como coadjuvante para ter maiores chances;

Outras recomendações com o elenco de Bastardos Inglórios:
Brad Pitt indicado ao Oscar e Globo de Ouro por O Curioso Caso de Benjamin Button (2008);
Diane Kruger em Paixão à Flor da Pele (2004);
Til Schweiger em A Ciência do Sexo (2001);
Daniel Brühl em 2 Dias em Paris (2007);
Mélanie Laurent em Beije Quem Você Quiser (2002);
Mike Myers em Studio 54 (1998);

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Tá Chovendo Hamburger

outubro11

Fome Tridimensional

Em Tá Chovendo Hamburguer (Cloudy with a Chance of Meatballs, 2009), Flint é um atrapalhado cientista. Seu sonho é ser reconhecido por suas invenções, e a última delas é uma máquina que faz com que as nuvens jorrem todo tipo de comida pela cidade. Mas como tudo demais é pecado…

A animação é bacana, engraçada. Sabe usar a força da tecnologia 3D (sempre imbatível se comparado ao tradicional 2D) para nos dar uma fome tridimensional. Mas a fome que provoca poderia ser na verdade um pouco mais crítica com o consumo da comida não tão saudável feita com tanta vontade pelo público americano. O vilão é um prefeito gordo e sem escrúpulos, mas a sutileza é quem comanda a maior parte desse desenho bem animado, colorido e com uma mensagem que devemos acreditar nos nossos sonhos, e que um pé na realidade não faz mal algum.

Os maiores podem se divertir com o macaco louco para puxar um bigode, com as trapalhadas de Flint e o tosco Bebê Brant, mas Tá Chovendo Hamburguer é mais indicado para os menores. Fica a dica: não ouse ir de barriga vazia… Com tanta comida na tela você corre o risco de enlouquecer ao ouvir o ronco do seu estômago ou de engasgar com a própria saliva de tanta água na boca.

NOTA: 7,5

INFORMAÇÕES ESPECIAIS:
Outras recomendações com os dubladores da versão original de Tá Chovendo Hambúrguer:

Bill Hader (Flint) em Ressaca de Amor (2008);

James Caan (papai Tim) em Agente 86 (2008);

Anna Faris (repórter Sam Sparks) em Encontros e Desencontros (2003);

Bruce Campbell (prefeito Shelbourne) em Cine Majestic (2001);

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